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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Litoral tem mais casas em favelas no Estado Cubatão e Guarujá são as cidades paulistas com maior proporção de residências precárias, segundo censo de 2010 Em Cubatão, 41% do total são habitações 'subnormais', contra 31% no Guarujá; média do Estado é de 6%


EDUARDO GERAQUE
ENVIADO ESPECIAL AO GUARUJÁ




Cubatão e Guarujá são as cidades do Estado de São Paulo que mais têm habitações em favelas em relação ao total de casas.
Na primeira, 41% das residências são precárias, segundo o censo de 2010 do IBGE; na segunda, 31%.
Em todo o Estado, o índice da favelização atinge 6%. Isso significa 748.801 moradias com 2,7 milhões de pessoas.
Em números absolutos de unidades habitacionais precárias, a cidade do Guarujá é campeã em favelização do litoral paulista.
São 26.095 moradias classificadas como "subnormais" pelo órgão do governo federal. Nesses aglomerados urbanos estão 95.427 pessoas.
Em Cubatão, são 14.841 moradias onde vivem 49.134 habitantes.
LONGE DOS OLHOS
Na maioria das vezes, as áreas com moradias impróprias no Guarujá estão longe dos olhos dos turistas, que lotam a cidade nesta época.
Os grandes núcleos de favelização estão instalados à esquerda de quem chega à cidade pela rodovia Cônego Domênico Rangoni -também conhecida por Piaçaguera-Guarujá.
E também na região de Vicente de Carvalho, onde, inclusive, morou a família do ex-presidente Lula quando veio do Nordeste para São Paulo.
O ainda garoto Luiz Inácio da Silva chegou ao litoral paulista aos sete anos de idade. Foram quatro anos, entre 1952 e 1956, vivendo em habitações precárias perto do mar e do porto de Santos.
Outra zona considerada crítica pela Prefeitura do Guarujá é o morro que fica ao fundo da badalada praia da Enseada. Ao longo de anos, núcleos de favelas cresceram sobre as encostas do lugar.
O ritmo da migração, que começou no período em que os pais de Lula vieram para o Estado, ficou mais rápido durante os anos 1970.
Como muitas famílias não conseguiram condições dignas de sobrevivência, a miséria e a favelização cresceram bastante em várias áreas da Baixada Santista, num processo que só começou a arrefecer durante os anos 1990.
CAMPEÃO ESTADUAL
O Guarujá, pelos números do censo de 2000, era o campeão estadual de favelas na virada do século.
Na época, havia os mesmos 30% de habitações em zonas consideradas críticas que existe hoje.
A comparação entre os dois censos mostra que em uma década os órgãos responsáveis por políticas habitacionais dos governos não conseguiram atacar o problema nas duas cidades.
Em Cubatão, a situação até piorou. Em 2000, as favelas eram 29% do total de moradias da cidade.
Em termos relativos, a região metropolitana da Baixada tem o maior deficit habitacional do Estado, mostra a Pesquisa de Condição de Vida da Fundação Seade, de 2006. Faltam 50 mil casas, 9,9% do total.
Na região metropolitana de São Paulo, por exemplo, o deficit é de 5,6% -ou seja, 318 mil unidades.
As favelas não entram nesta conta. Elas são consideradas moradias inadequadas pelo governo.

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