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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Seguranças à paisana escoltam turistas no Guarujá (SP)


03/01/2013 - 06h00


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NATÁLIA CANCIAN
ENVIADA ESPECIAL AO LITORAL

Assim que se aproxima do final da rodovia Cônego Domênico Rangoni (Piaçaguera-Guarujá) em direção ao litoral, o turista aciona um número ao telefone.
Minutos depois, seguranças à paisana começam a segui-lo, de carro, por cerca de 3 km, até uma das avenidas próximas à praia.
Condomínios de luxo no Guarujá estão criando sistemas de informações de trânsito e de escolta a veranistas que querem aproveitar a temporada perto do mar.
No Jardim Acapulco, na praia de Pernambuco, que tem 1.500 casas, o esquema começou após o Natal e continua nesta semana. A ideia é prevenir roubos nas principais vias de acesso à cidade.
"As pessoas estavam deixando de vir por medo de assalto", conta a publicitária Gisele Nascimento, 28, uma das moradoras do conjunto.
Em menos de 15 dias, ela teve o pai e dois amigos roubados em pontos de chegada e saída do Guarujá.
"A cidade está extremamente violenta", diz. "Meu pai estava no carro indo para São Paulo e foi parado por três homens armados. Levaram tudo", conta Gisele.
Segundo o gerente de segurança Luiz Cláudio Venâncio Alves, o grande número de relatos de roubos motivou a adoção do sistema, que funciona por 24 horas.
Antes de se aproximarem da rodovia, os visitantes ligam para a equipe de plantão do condomínio, passam informações sobre o carro e recebem dados a respeito do trânsito e da segurança.
"Depois que colocamos as equipes, não ocorreram mais casos de assaltos", diz o gerente de segurança.
Ao todo, 12 seguranças atuam na operação, escondidos em pontos estratégicos.
Por questões de segurança, a empresa que presta o serviço ao condomínio não permitiu que a Folha fotografasse a escolta oferecida a seus clientes.
Moradores dizem aprovar a iniciativa. "Meu irmão levou uma pedrada no para-brisa. Vi muita gente sendo assaltada lá", conta o aposentado Germano Rocha, 64, que saiu de São Paulo para passar a temporada no Guarujá.
De acordo com o chefe da equipe de seguranças que atua na operação, que pede para não ser identificado, ao menos 50 moradores já fizeram uso do serviço.
'PARECE FILME'
Policiais militares também monitoram a área, repleta de mato e cortada por uma favela. Um dos PMs confirmou dificuldades no policiamento. "Eles [ladrões] vêm por todo lado. Parece filme", diz o policial, que pede anonimato.
Na base e na companhia da PM que cuidam do policiamento na região da escolta, nenhum responsável se dispôs a falar com a reportagem.
Outros condomínios também adotam medidas. Na praia de Iporanga, o condomínio fornece carro para ronda do portal de entrada até a balsa. O serviço ocorre todas as noites, das 19h às 6h.
"Ajuda muito no dia a dia. O ladrão, quando é vigiado, não rouba", diz o aposentado José da Costa, 76, que passa a temporada no local.-

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