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domingo, 8 de março de 2015

Fotos do Guarujá


Sou fã de carteirinha das fotos do Guarujá que o José Luiz Gorgone sempre posta. Nunca é tarde para descobrir talentos e felizmente para nós, o José Luiz descobriu esse dom de fazer fotos que agradam muito e a todos.
Mas o mérito do Gorgone não é só fazer essas fotos lindas, é olhar para o Guarujá como um pai olha para seu filho ou para a mulher amada, vendo muito mais virtudes do que defeitos.
Enquanto eu vivo por aí caçando calçadas arrebentadas, lixo espalhado pelas ruas, quiosques sujos e mal cuidados, carrinhos fritando peixe na praia e os milhares de ambulantes ilegais enfeiando a cidade e reclamo de tudo, o Zé, como é carinhosamente chamado, faz das fotos que tira do Guarujá um quadro, verdadeira pintura, digna de galeria e por alguns momentos as pessoas colocam a cidade onde ela deveria estar sempre, no mais alto lugar do pódio entre as mais belas cidades.
Não é atoa que eu reclamo e nem acho que reclamo muito. Reclamo por escrito e as pessoas reclamam umas para as outras e em minutos reclamante e reclamação somem para alegria dos péssimos administradores que a cidade teve nos últimos anos.
Fiquemos com a foto do Gorgone.

quinta-feira, 5 de março de 2015

O custo Brasil e o pouco-caso de algumas empresas.

O Custo Brasil é um termo genérico, usado para descrever o conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas e econômicas que encarecem o investimento no Brasil, dificultando o desenvolvimento nacional, aumentando o desemprego, o trabalho informal, a sonegação de impostos e a evasão de divisas.
Por isso, é apontado como um conjunto de fatores que comprometem a competitividade e a eficiência da indústria nacional.
Nenhum desastre ou calamidade tem uma única causa e no Brasil, o despreparo, o pouco-caso e a falta de vontade, começam com pequenas lesões diárias aos nossos direitos, que me fazem pensar se estou ficando velho e chato ou se o Brasil, como teria dito Charles De Gaulle não é um país sério.
A grande maioria das empresas prestadoras de serviço, veem no Brasil o paraíso para descumprir as leis, em especial o Código do Consumidor e além de lesar os usuários, colaboram para que se aprenda ter desdém pela lei, por quem as faz e por quem deveria zelar pelo seu cumprimento, pela ordem e pelo instituto do direito.
Outro dia escrevi da dificuldade para conseguir um atestado médico, exigido por lei, para praticar exercícios físicos na academia.
Meu plano de saúde da UNIMED não fornece no pronto atendimento, apenas, se eu marcar uma consulta com um médico, que vai ou não fazer os exames que achar necessários.
Ocorre, que para marcar uma consulta pode demorar mais de trinta dias, apesar da norma da Agência Nacional de Saúde determinar o prazo máximo de quinze dias.
Eis que o “jeitinho brasileiro” fez com que a academia encontrasse um “super-médico”, que em três minutos tira a temperatura e a pressão e ao custo de trinta reais fornece o tal atestado, mostrando que a lei é burra, falha e deveria ser fielmente cumprida ou melhor regulamentada. Tirar a pressão e medir a temperatura a gente faz antes de entrar numa consulta no pronto atendimento ou eu ou qualquer pessoa faz.
Mas o propósito do texto é que os planos de saúde são uma caixa-preta, onde você paga e o único direito indiscutível é o de não receber pelo que pagou, a não ser que recorra a veementes ameaças à ouvidoria e em último caso ao Judiciário e ai, pouco importa, tenha você ou não esse ou qualquer direito e o Juiz o dará numa simples canetada.
Outro dia precisei consultar um médico especialista e ao tentar marcar verifiquei que em todos os médicos listados eu só conseguiria marcar a consulta de trinta a sessenta dias, contrariando a determinação da ANS que é de quinze dias.
Liguei na ouvidoria no dia dez de fevereiro, telefone 08007038989, protocolo 21028177, a atendente ficou de ligar no prazo de até quatorze dias fornecendo o nome, endereço e horário para tal consulta.
Alguns dias depois ligaram de fato, marcando a consulta em Santos (moro no Guarujá) às oito horas da manhã do dia dois de março.
Vamos aceitar que esse trabalhão, de ligar para vários médicos, ser obrigado a recorrer à ouvidoria, aguardar o prazo, sem escolher o profissional listado que eu gostaria, ter que me locomover à cidade vizinha, às oito da manhã, fosse só um incômodo.
No dia marcado para chegar em Santos sem me atrasar, saí de casa às seis e quinze, cheguei ao endereço fornecido às sete e meia.
Fui atendido pela recepcionista educada e solícita que depois de conferir e anotar, disse que eu poderia sentar e esperar. Perguntei se seria o primeiro a ser atendido, mas ela disse que o médico só chegaria as oito, saí então para tomar café numa padaria próxima.
Exatamente às sete e cinquenta estava de volta, sentei e aguardei ser chamado.
Às oito e meia, sem ter sido chamado, dirigi-me à recepcionista e perguntei se o médico já havia chegado e a resposta foi negativa.. Cerca de dez minutos depois fui chamado e levado ao consultório onde expus os sintomas.
Simpático, educado e demonstrando estar preparado, o médico recomendou que eu tomasse um comprimido diário de um remédio e tivesse à mão um outro, esse de efeito imediato, para o caso de sentir o tal sintoma.
Preencheu duas receitas que por exigência legal deveriam ser em formulários diferentes e eu fui embora, satisfeito e feliz por ter afinal resolvido o problema.
De volta ao Guarujá fui à farmácia onde tenho um desconto mentiroso e ilegal de trinta por cento e fui informado que não poderia comprar um dos remédios porque o médico havia colocado 1 de março de 2.014 em vez de 1 de março de 2.015.
Argumentei que não se tratava de receita vencida pois na outra constava 2.015, grafado corretamente, propus que ele confirmasse com o médico, mas polidamente ele disse que não poderia aceitar a receita pois corria o risco de ser punido.
Acreditando no “jeitinho brasileiro” fui a outra farmácia e o resultado foi o mesmo, numa clara demonstração que quando é para prejudicar o indivíduo a lei funciona e a remota possibilidade de fiscalização é eficiente.
O que se poderia dizer que seria um pequemo incomodo ia se prolongando e se transformando num grande incômodo.
Liguei para o ambulatório onde fiz a consulta e expliquei primeiro à atendente que em seguida encaminhou a ligação à pessoa responsável, a quem eu expliquei pela segunda vez a situação e a resposta foi que eu deveria ir a Santos para solicitar a troca da receita e depois voltar quando ela estivesse disponível.
Expliquei as dificuldades, a distância, o custo e a perda de tempo mas ela já havia “decretado”. Ameacei, demonstrando que sou dos que sabem reclamar, que se ela não resolvesse de outra maneira eu iria “fazer barulho” e postaria a reclamação na mídia, o que poderia trazer problemas a ela, caso o assunto pudesse, finalmente, ser resolvido de outra forma e ela não o tivesse feito. Ela disse que eu deveria falar com a supervisora e eu aceitei.
Pela terceira vez tive que explicar toda a situação e ela, com toda educação disse que eu não precisaria ir lá para solicitar a troca da receita, ela verificaria se o médico ainda estava de plantão e retornaria minha ligação.
Assim foi. Ligou logo depois e disse que a receita estaria disponível na recepção e que eu poderia ir buscar naquele mesmo dia ou quando eu quisesse.
Pedi que me fosse enviada por malote para a UNIMED do Guarujá e ela me disse que não tem esse malote. Solicitei pelo Correio e ela disse categoricamente, que a única maneira seria ir lá. Agradeci, pretendo ir lá buscar a receita assim que puder, ainda não estou tomando o remédio e faço agora o que prometi, reclamo de público, para que todos saibam que o custo Brasil e a situação em que o país se encontra é muito mais grave e do que algumas dificuldades estruturais e do descaso com os direitos mais simples do consumidor ao pouco-caso que todo o sistema legal brasileiro transforma o cidadão num ser que desacredita totalmente na possibilidade que o Brasil venha a ser, verdadeiramente sério para as próximas gerações.
Por cerca de dez reais essa supervisora poderia ter me enviado a receita por SEDEX, mas preferiu correr o risco de ver uma reclamação contra a empresa que ela trabalha, numa clara demonstração que não está preparada para o cargo.
Se essa reclamação servir para que numa próxima vez ela envie o a receita pelo Correio para alguém, para mim já estará bom.